Norma Santi
Que éramos loucos, bem sei
que falávamos de magias,
de enigmas
e do tempo que batia em nossa porta.
Que era difícl,
jurávamos sobreviver e
tínhamos medo da guerra.
E de alguma forma éramos entorpecentes,
sonhávamos com a vinda de outros astros
e das estrelas pousando em nossas cabeças.
Pensávamos no peso que o mundo colocava sobre nós
e sorríamos ao ver que o dia tinha recomeçado.
Andávamos muitas vezes com o passo apertado,
com um grito na garganta
e não evitávamos o rosto molhado de lágrimas.
Víamos atrás de nós o mundo
e perdíamos a vergonha, a virgindade.
Brigávamos contra a angústia
que teimava em nos rasgar alma.
Abríamos a janela em dias de frio e
congelávamos, as vezes, o coração.
Batíamos na coxa,
rasgávamos o velho jeans
e marcávamos a nossa própria música.
Marchávamos em dias de pátria
em revoluções na rua
e nos manchávamos com o nosso sangue.
Passávamos por dias,
por horas,
punições
e guardávamos dentro de nós as nossas glórias!
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