Norma Santi
Calo-me eu. Por que calas tu?
O calo da vida. O silêncio da boca.
O calo marca, em ásperas camadas,
As dores da pele fina.
O silêncio é o calo do grito
Marcado em curvas do infinito
O calo é duro,
O calo é nobre,
O calo é a pele que me cobre.
O calo é o registro do tempo.
O calo é a cápsula da lágrima.
O calo sob o pés, os passos da epiderme.
O calo vocal.
O calo são nossas dores
Voltadas para o lado de fora:
Espessas,
Explícitas,
Escancaradas,
Paradoxalmente ensimesmadas.
O calo empilha e circunda as horas caladas de nossas vidas.
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