[...]
Ai! se eu te visse em languidez sublime, Na face as rosas virginais do pejo, Trêmula a fala, a protestar baixinho… Vermelha a boca, soluçando um beijo!…
Amor e Medo
de Casimiro de Abreu

sábado, 25 de julho de 2009

Calo

Norma Santi

Calo-me eu. Por que calas tu?
O calo da vida. O silêncio da boca.
O calo marca, em ásperas camadas,
As dores da pele fina.

O silêncio é o calo do grito
Marcado em curvas do infinito
O calo é duro,
O calo é nobre,
O calo é a pele que me cobre.

O calo é o registro do tempo.
O calo é a cápsula da lágrima.
O calo sob o pés, os passos da epiderme.
O calo vocal.

O calo são nossas dores
Voltadas para o lado de fora:
Espessas,
Explícitas,
Escancaradas,
Paradoxalmente ensimesmadas.

O calo empilha e circunda as horas caladas de nossas vidas.

0 comentários:

Postar um comentário